ABISSAL
expedição nº 01 · pacífico oeste

um único scroll · dez mil, novecentos e trinta e cinco metros

A DESCIDA

Conhecemos melhor a superfície de Marte do que o fundo do nosso próprio oceano. Esta página é uma viagem até o ponto mais profundo da Terra. Role para afundar.

11°22′N  142°35′E
DEPRESSÃO CHALLENGER
FOSSA DAS MARIANAS
afundar
01

0 a 200 metros · zona epipelágica

Onde a luzainda manda

A camada iluminada é uma película fina: só 5% da profundidade média do oceano. Mas é aqui que acontece quase toda a fotossíntese marinha e onde vive a imensa maioria dos peixes que você conhece.

200 mlimite onde a luz do sol ainda sustenta fotossíntese
~50%do oxigênio da Terra nasce do fitoplâncton destas águas
24 °Cágua quente e agitada, misturada pelo vento e pelas ondas
Atum-azul
Thunnus thynnus · até 250 m

Um míssil de sangue quente que cruza oceanos inteiros a mais de 60 km/h, sempre perto da luz, onde a caça é farta.

02

200 a 1.000 metros · zona mesopelágica

O crepúsculopermanente

O azul vira penumbra. Todas as noites, trilhões de animais sobem daqui para se alimentar na superfície e descem antes do amanhecer: a maior migração do planeta, e ela acontece duas vezes por dia.

90%dos peixes do oceano, em massa, vivem nesta penumbra
100 atma pressão a 1.000 m: cem vezes a do nível do mar
2×/diaa migração vertical sobe e desce com o pôr e o nascer do sol
Peixe-lanterna
Myctophidae · 300 a 1.000 m

Carrega fileiras de fotóforos no corpo, pontos de luz própria. É provavelmente o vertebrado mais abundante da Terra, e quase ninguém nunca viu um.

03

1.000 a 4.000 metros · zona batipelágica

A meia-noiteeterna

Nenhum fóton do sol chega aqui. Nunca. A única luz é a que a própria vida fabrica: iscas, alarmes e lampejos de bioluminescência piscando no escuro absoluto.

0 luxescuridão total: a luz solar morre muito antes de chegar
4 °Cfrio constante, sem estações, sem dia e sem noite
~76%dos animais de águas abertas produzem a própria luz
Tamboril-abissal
Melanocetus johnsonii · 1.000 a 4.000 m

O famoso peixe-pescador: uma isca luminosa pendurada sobre a boca atrai qualquer coisa que ainda tenha olhos para ver.

04

4.000 a 6.000 metros · zona abissopelágica

As planíciesdo abismo

"Abissal" vem do grego ábyssos, sem fundo. Aqui ficam as grandes planícies que cobrem mais da metade da superfície sólida da Terra, alimentadas por uma neve lenta de restos orgânicos que caem da superfície por semanas.

>50%da superfície sólida do planeta são planícies abissais
600 atmo peso de uma coluna de 6 km de água sobre cada centímetro
1 cmde sedimento leva até mil anos para se acumular no fundo
Polvo-dumbo
Grimpoteuthis · até ~7.000 m

Nada batendo duas nadadeiras que parecem orelhas. É um dos polvos que vivem mais fundo, pairando sobre a planície como um fantasma gentil.

05

6.000 a 10.935 metros · zona hadal

O reinode Hades

Batizada em homenagem ao deus grego do submundo. Só existe dentro das fossas, cicatrizes onde uma placa tectônica mergulha sob a outra. Se o Everest fosse posto aqui dentro, ainda faltariam mais de 2 km de água acima do cume.

1.086 bara pressão no fundo: como equilibrar um jumbo na palma da mão
1960Piccard e Walsh tocam o fundo no batiscafo Trieste
2012James Cameron desce sozinho no Deepsea Challenger
Peixe-caracol-das-marianas
Pseudoliparis swirei · ~8.000 m

Rosado, translúcido, sem escamas. O peixe mais profundo já registrado, nadando tranquilo onde o aço de um submarino comum seria esmagado.

10.935 m

Você chegou ao fundo.

A Depressão Challenger, no extremo sul da Fossa das Marianas. O lugar mais profundo do oceano. E mesmo aqui, na escuridão e na pressão mais absolutas, a vida encontrou um jeito.